Patek Philippe compra a Beyer Chronometrie e encerra a mais antiga revendedora de relógios do mundo
A Beyer Chronometrie, fundada em 1760 em Zurique, vai fechar as portas no final de 2026. A Patek Philippe assumirá o espaço na Bahnhofstrasse 31 a partir de 2027, convertendo a loja no quarto salão oficial da marca no mundo, ao lado de Genebra, Londres e Paris. A informação foi publicada pelo jornal suíço Neue Zürcher Zeitung.
266 anos e um fim anunciado
A Beyer mantinha com a Patek Philippe a mais antiga relação comercial registrada na relojoaria: vendia os relógios da marca desde aproximadamente 1842. Eram mais de 180 anos de parceria ininterrupta, em um espaço que se tornou referência para colecionadores do mundo inteiro.
O dono da loja, René Beyer, morreu no ano passado aos 61 anos, num falecimento que chocou o setor. Sem herdeiros, o controle da empresa passou para sua irmã, Muriel Zahn-Beyer. Ela confirmou ao NZZ que a Patek Philippe havia adquirido discretamente uma participação minoritária na Beyer ainda em 2024, e que o framework para essa transição havia sido construído pelo próprio René com antecedência. O acordo com a Patek representava, em suas palavras, a culminação lógica de décadas de parceria e uma expressão do senso de responsabilidade do irmão com a empresa, os funcionários e a cidade de Zurique.
O paralelo com a compra da Bucherer pela Rolex em 2023 foi imediato, mas o desfecho é diferente: enquanto a Rolex manteve a rede Bucherer operando, a Patek optou por encerrar a Beyer e substituí-la por um salão próprio.
O peso histórico da loja
A Beyer não era apenas uma revendedora. Sob a gestão de René Beyer, a loja mantinha um museu de relógios com uma das coleções mais importantes do mundo, além de um relacionamento com a Patek que gerou peças únicas. O mais notável exemplo: Philippe Stern escolheu a Beyer para assinar os primeiros 25 exemplares da referência 3940, o icônico calendário perpétuo, com o nome da loja gravado em caligrafia elegante no mostrador. Um desses relógios foi a leilão recentemente e estabeleceu o recorde da referência, chegando perto de USD 970.000.
O museu e seu acervo não fazem parte da venda. Zahn-Beyer pretende realocar a coleção para outro espaço dentro de Zurique.
O que muda para os funcionários
Cerca de dois terços dos funcionários da Beyer serão afetados pelo fechamento. A empresa divulgou a notícia com nove meses de antecedência justamente para dar tempo aos colaboradores de encontrar novas posições no mercado.
O movimento mais amplo
A aquisição da Beyer não é um evento isolado. Reflete uma mudança estrutural em curso na relojoaria de luxo: marcas como Patek e Rolex estão progressivamente reduzindo sua dependência de revendedores multimarca e investindo em espaços exclusivos de relacionamento direto com o cliente. A Wempe de Nova York, por exemplo, perdeu a distribuição da Rolex depois que a marca abriu sua flagship na 5ª Avenida.
O salão de Zurique será o quarto da Patek Philippe no mundo. Para uma marca que mantém controle absoluto sobre sua distribuição e produção, ter um espaço próprio no endereço mais famoso de Zurique é uma declaração de intenções.

