Rolex resgata o Padellone, agora com calendário anual e fases da Lua
A Rolex acaba de trazer de volta um nome que há décadas pertence ao imaginário dos colecionadores. O Perpetual Padellone é a nova interpretação de um dos relógios mais raros e interessantes já produzidos pela marca, o Reference 8171, apresentado no fim dos anos 1940.
O novo modelo mantém a essência do relógio histórico, mas transforma completamente sua mecânica. Em vez de simplesmente reproduzir o calendário completo do passado, a Rolex desenvolveu o calibre 7190, um movimento automático que reúne calendário anual, fases da Lua e uma série de soluções técnicas inéditas.
A novidade chega em um momento especialmente simbólico para a Rolex, que em 2026 celebra um século do Oyster. E, diferente de boa parte dos lançamentos da marca, o Perpetual Padellone não tenta ser apenas uma evolução de um modelo atual. Ele olha diretamente para uma parte muito específica da história da Rolex.
O retorno do Padellone
O nome Padellone não nasceu dentro da Rolex. O apelido foi criado por colecionadores italianos para identificar o Reference 8171, produzido aproximadamente entre 1949 e 1952.
Em italiano, padella significa frigideira. O sufixo -one funciona como um aumentativo, algo próximo de “frigideirão”. A referência ao objeto fazia sentido para a época: com cerca de 38 mm, o 8171 era consideravelmente grande para os padrões dos relógios de vestir dos anos 1950.
O 8171 era um dos dois únicos Rolex de sua época a combinar calendário completo e fases da Lua. Ao lado dele estava o Reference 6062, que levava a mesma ideia para uma caixa Oyster. Produzido em quantidades muito pequenas, o 8171 acabou se tornando um dos Rolex vintage mais desejados pelos colecionadores. Exemplares raros da referência continuam alcançando centenas de milhares de francos suíços em leilões.
A própria Rolex agora adotou oficialmente o nome Padellone para sua nova criação, encerrando uma curiosa distância entre a nomenclatura da marca e aquela utilizada há décadas pelos colecionadores.
Um calendário anual completamente novo
A grande novidade do Perpetual Padellone está no movimento.
O novo calibre 7190 foi desenvolvido especificamente para o relógio e trabalha a uma frequência de 5 Hz, equivalente a 36.000 alternâncias por hora. Segundo a Rolex, o movimento é objeto de 30 pedidos de patente, sendo dois deles exclusivos do novo modelo.
O destaque é o sistema de calendário.
O Perpetual Padellone utiliza o sistema Haplos, uma solução patenteada capaz de reconhecer automaticamente os meses com 30 e 31 dias. Na prática, isso significa que o usuário só precisa fazer uma correção manual uma vez por ano, na passagem de fevereiro para março.
É uma diferença importante em relação a um calendário simples. O relógio consegue acompanhar automaticamente a duração dos meses ao longo do ano, mas ainda exige uma intervenção depois de fevereiro, já que não é um calendário perpétuo.
E há outro detalhe particularmente interessante: a troca das indicações acontece de forma instantânea.
À meia-noite, dia, data e mês avançam simultaneamente em uma fração de segundo. A Rolex afirma que esse mecanismo também é objeto de um pedido de patente.
No mostrador, o dia da semana e o mês aparecem em duas janelas posicionadas às 12 horas. A data é indicada por um ponteiro azul com uma pequena lua crescente na extremidade, percorrendo uma escala ao redor do mostrador.
A Lua volta para a Rolex
A outra grande complicação do Padellone é a indicação das fases da Lua. A presença da Lua é uma referência direta ao 8171 original e ajuda a manter a ligação visual entre as duas gerações.
O disco da fase da Lua também recebeu um tratamento especial. A Rolex utiliza um disco de meteorito, retomando a ideia de criar uma pequena representação do céu no mostrador. A estética também faz referência ao relógio histórico, reforçando a relação entre passado e presente.
A escolha é interessante porque a Rolex passou anos sem oferecer uma indicação de fases da Lua em sua coleção. O antigo Cellini Moonphase, lançado em 2017 e descontinuado em 2023, havia sido o retorno da complicação à marca depois de décadas. Agora, a Lua reaparece em uma peça muito mais ambiciosa tecnicamente.
Um relógio de inspiração vintage, mas sem ser uma reedição
Apesar de toda a referência histórica, o Perpetual Padellone não é uma reprodução do 8171.
A caixa mantém a linguagem elegante do vintage, mas foi completamente reinterpretada para os padrões atuais da Rolex. A peça está disponível em ouro Everose 18 quilates e platina 950, com diferentes configurações de mostrador.
A Rolex também oferece duas possibilidades de uso: a nova pulseira Settimo, desenvolvida em couro de aligátor, ou uma pulseira tradicional de couro de aligátor.
O resultado é um relógio que se aproxima muito mais do universo da alta relojoaria clássica do que da imagem esportiva pela qual a Rolex se tornou mundialmente conhecida. E isso talvez seja justamente o mais interessante.
A Rolex está olhando novamente para suas complicações
O Perpetual Padellone representa uma mudança importante dentro da Rolex. A marca construiu sua identidade moderna principalmente em torno de relógios robustos, precisos e extremamente reconhecíveis. Submariner, GMT-Master II, Daytona e Datejust são exemplos perfeitos dessa filosofia.
Mas a história da Rolex também inclui uma relojoaria mais complicada.
O 8171 e o 6062 são provas disso. Ambos pertencem a uma época em que a marca explorava calendários completos, fases da Lua e outros mecanismos que hoje são lembrados principalmente pelos colecionadores. O novo Padellone recupera exatamente esse lado da Rolex.
Especificações Técnicas
Referências: 53505 e 53506
Movimento: calibre 7190
Tipo: automático
Frequência: 5 Hz
Complicações: calendário anual completo e fases da Lua
Sistema de calendário: Haplos
Patentes: 30 pedidos de patente, sendo dois exclusivos do modelo
Indicações: horas, minutos, segundos, dia, data, mês e fases da Lua
Materiais: ouro Everose 18 quilates e platina 950
Pulseira: Settimo ou couro de aligátor
Certificação: Cronômetro Superlativo

