Cartier London Crash de 1987 bate recorde em Hong Kong: USD 1,99 milhão
Um Cartier London Crash de 1987 foi vendido na sexta-feira passada no leilão Important Watches da Sotheby's em Hong Kong por HK$ 15.616.000, o equivalente a aproximadamente USD 1,99 milhão ou £1,48 milhão.
É o recorde mundial para um relógio de pulso Cartier em leilão, superando os USD 1,65 milhão pagos em 2022 por um Crash de 1967. Curiosamente, o recorde anterior também havia sido estabelecido por um London Crash, tornando esta a segunda vez consecutiva que um exemplar da mesma referência bate o próprio recorde.
O paradoxo: um London Crash feito onze anos após o fechamento do ateliê
O que torna este exemplar extraordinário não é apenas o resultado financeiro. É a história que está por trás da sua produção.
O London Crash surgiu em 1967, supostamente inspirado por um acidente de carro que deformou o mostrador de um Cartier Baignoire de maneira que agradou aos olhos do designer.
A caixa ondulada e assimétrica, que parece ter sido submetida a uma força externa, tornou-se uma das formas mais reconhecíveis e desejadas da história da Cartier. Com a produção acontecendo no Wright & Davies Workshop, o coração criativo da Cartier London. Em 1976, o workshop fechou as portas.
O exemplar vendido em Hong Kong é de 1987, onze anos após o fechamento. Como é possível?
A resposta está em Arthur Withers, um artesão do próprio Wright & Davies que, ao final do workshop, recebeu permissão para manter as ferramentas e maquetes do ateliê.
Em 1987, como parte de um pedido especial, Withers produziu a caixa em ouro amarelo 18K de 42,5 × 23 mm usando o ferramental original. Apenas outros dois Crashes foram produzidos naquele mesmo ano nessas condições, totalizando três exemplares de 1987 conhecidos.
Nove minutos de licitação, colecionador japonês
A estimativa inicial da Sotheby's era de HK$ 3,2 a 6 milhões, equivalente a USD 400.000 a 800.000. O martelo caiu em HK$ 15.616.000 após uma guerra de lances de nove minutos entre participantes ao telefone e presenciais no salão.
O comprador final foi um colecionador japonês. O resultado representa quase 2,5 vezes o teto da estimativa, uma indicação de que o mercado estava diante de algo que raramente aparece.
O lote era o principal da série "The Shapes of Cartier" da Sotheby's, uma iniciativa que reúne 300 relógios Cartier de significância histórica em uma das maiores coleções temáticas de um único criador já oferecidas em leilão. A série continua: Genebra em 10 de maio e Nova York em 15 de junho.
O que este resultado diz sobre o mercado
O recorde anterior era de um Crash de 1967, o ano de origem da referência. O novo recorde é de um exemplar de 1987, produzido fora do contexto original e em circunstâncias que dependem de uma história específica e verificável.
O que o mercado pagou não foi apenas pelo objeto: foi pela narrativa. O fato de a caixa ter sido produzida por Arthur Withers com o ferramental original do Wright & Davies, como encomenda especial, onze anos após o fechamento do ateliê, transforma este Crash em algo que é simultaneamente dentro e fora da linha de produção regular. É um objeto que não deveria existir mas existe, e essa improbabilidade tem um preço.
O recorde para o relógio de pulso Cartier mais caro em leilão foi quebrado duas vezes seguidas pelo mesmo modelo. Para o mercado de colecionadores de Cartier vintage, o sinal é inequívoco.

